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FANTASMA COM CARA DE GENTE

FANTASMA COM CARA DE GENTE

Capítulo anterior: Imago Christus

     Vamos imaginar algumas situações.
1- Jesus e Adão vieram te visitar e, você os convida para ir a uma festa. E apresenta-os como Pai e avô respectivamente. Com quem as pessoas dirão que você se parece? 
2 – Vocês trabalham na mesma empresa e, por sua postura e conduta, as pessoas vão dizer que “puxou pra quem”?
3 – Você está andando na rua e de repente dá de cara com Jesus, Ele o olha em seus olhos e diz: “você se parece demais comigo!”.
4 – Você morreu, Jesus se aproxima e diz: “Você não tem nada haver comigo…”
5 – Dois demônios fumando charuto e tomando uma pinga ao final de mais um dia de trabalho:
- E ai como foi seu dia?
- Horrível, como sempre.
- Que mal, estou com inveja de você!
- Obrigado. E por falar em coisas ruins, me encontrei com aquele rapaz que se parece com você, daqui uns dias, não os distinguirei de tão parecidos.
- E o seu dia? _ Pergunta o segundo demônio, baforando fumaça na cara do outro.
- O meu foi bom, vi aquela moça que se parece com o Ancião de Dias, dia após dia sua imagem reflete a semelhança d’Ele!
- Que mal seu dia ter sido bom!

     Sim! Se alguém não conhece ao Criador, ao ver-nos não poderiam duvidar d’Ele. O que os “dessemelhados” não entendem é que todos se assemelham e tomam forma pouco a pouco, de quem crê (ama) profundamente. Não adianta dizer que crê ou é filho de Deus, mas, se não lembra Jesus, esquece, tal fé é inútil, irracional e mentirosa. Antes um incrédulo consciente que um crente ignorante.

     Orgulhosos que descobrem ser possível se tornar imagem e semelhança de Deus, o tentam por vaidade, porém, deformam mais o que já era informe. Como numa série de cirurgias plásticas mal feitas, tudo que viagra em sucessivas cirurgias plásticas no espírito é se tornar um fantasma com cara de gente, ao invés de ser humano com cara de Deus.

     A pergunta não é se crê em Deus e têm fé, mas, qual imagem reflete no espelho do mundo: a sua ou a de Jesus? Refletir a imagem de si mesmo, ainda que bela, constitui seu lado mais disforme. Acho muito intrigante quando, após a queda do homem, Deus diz no terceiro capítulo de Gênesis:

     “Eis que o homem se tem tornado como um de nós…”

     Essa afirmação não diz respeito ao homem se tornar a quarta pessoa da Trindade, óbvia e absolutamente que não. Mas em haver deformado sua natureza humana, ou seja, alterou sua essência, perdeu-se de si mesmo. Como se Deus dissesse: “eis que o homem não quer ser ele mesmo, seu desejo a partir de hoje é querer tornar-se o que nunca poderá ser, ao se esforçar para se tornar um de nós, perde seu propósito original que recebeu de graça: refletir minha Imago Dei na terra. 

     Mas em Cristo, Deus diz: “eis que me tornei um deles, por isso ninguém vêm até mim, senão pelo meu Filho, todos que n’Ele estiverem, tornar-se-ão imagem e semelhança do Eterno”.

     Isso sugere a saída para algo que muito se medita, escreve, estuda e se busca: encontrar a si mesmo. Promover esse grande encontro sem restabelecer a conexão com seu Criador, esforço nulo e contrário. Entre o “eu perdido” e o “eu a ser encontrado” há uma cruz fincada no meio da estrada. É como se fosse uma porta, de um lado escrito: “vinde a mim, todos que estais cansados e sobrecarregados, que eu vos aliviarei, tomai sobre vos o meu jugo e aprendei de mim”. Do outro lado da porta, escrito seu nome, como numa lista de convidados para uma grande festa. Esse é o verdadeiro encontro, sem o qual nenhum outro faz sentido.

© Lucianno Di Mendonça

Continua em próximo capítulo

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