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AUTO BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA DE DEUS

AUTO BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA DE DEUS

Capítulo anterior: Universo de um livro só
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“Há muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas fossem escritas, cada uma delas, uma por uma, não consigo imaginar um mundo grande o bastante para caber tamanha biblioteca.” João, apóstolo.
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    João está claramente sugerindo uma auto biografia não autorizada de Deus, ao mesmo tempo, dizendo que o cosmos é insuficiente para acomodar sua biblioteca. O apóstolo soube mas não imaginou, nós não sabemos, mas podemos imaginar. Como seria a divisão dos capítulos da biografia de alguém que existe de eternidade à eternidade? Uma coisa sabemos, não haveria introdução e conclusão. E a bibliografia, quais foram as fontes do autor? Quem o inspirou? Seria o único livro que uma vez escrito pode ser lido apenas pelo próprio autor. Na tarde de autógrafos do lançamento de seu livro, como responderia a pergunta: “como descreveria Deus por Deus mesmo?” Seu personagem principal é tão indefinível e indescritível, que Ele diz de si mesmo: EU SOU O QUE SOU.
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    Imagino a dedicatória:
“Do Eterno para o Eterno. De Mim para Mim mesmo, estou obrigado eternamente…”
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    A frase de René Descartes “penso, logo existo” foi eternizada porque descobre-se que existe, pensando, e não o contrário. O fato de existir não assegura o pensamento. Interessante, mas longe de comparação à frase do Eterno sobre si mesmo falando com Moisés, que entrou na história humana, dada sua dimensão, muito além de nossa existência e pensamento, revelou tudo (ou seria nada?) de si mesmo: EU SOU O QUE SOU. Ao contrário de nós: “Eu não sou a parte daquele que É.
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    Uma das passagens mais enigmáticas da Bíblia é quando Jesus de Nazaré diz EU SOU e os soldados romanos caem para trás, de pernas pra cima, amontoando-se uns nos outros, escudo rolando para um lado e lança voando para o outro, em sinal de total humilhação e incapacidade de prender o Senhor da liberdade. Penso que Jesus não queria nada daquilo, mas ele próprio pronunciar seu nome impronunciável, quando não é fogo que arde sem se ver, treme os fundamentos de todo o mundo.
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    Ele é a personagem histórica mais estudada, mais escavada, milhões e milhões de livros, teses e artigos foram escritos sobre sua pessoa, todos tentando dissecá-lo, entendê-lo um pouquinho melhor, mas de acordo com esse versículo de João, é o menos falado e estudado, não há referência de comparação do que se falou e conheceu para o que NÃO se falou e NÃO se conheceu.
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    Imagino também o nível de revelação que o discípulo amado tinha da pessoa divina de Jesus, não sem causa, foi escolhido para escrever o evangelho que revela o Cristo como Deus e, o livro de Apocalipse.
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    Jesus está antes da criação do mundo, tudo foi feito por ele e dele mesmo. Não é somente Senhor de tudo, mas, Senhor do nada. Pois, tudo foi feito à partir do… nada. Apenas pela sua palavra veio existir todas as coisas. Vai ao passado e volta ao futuro ao mesmo tempo e fora dele. Na ponta de seu lápis, um zero é sinônimo de todos os números. Tudo é muito pouco para o Nazareno, uma pitada de nada é mais que suficiente para fazer infinitos universos no forno de sua criatividade ao sopro de sua doce voz. Alguém diz: “depois de tudo que fiz e quem sou, Deus se esqueceu de mim, nada fez na minha vida”. Quanta ignorância! Por um lado desconhecido, penso no nada dizendo ao sem forma e vazio: “de mim Jesus fez tudo, não mereço nada, não sou nada!”. Quanta sabedoria!
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© Lucianno Di Mendonça
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Próximo capítulo: Deus, por Deus mesmo.

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