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PONTUAÇÕES DA VIDA

PONTUAÇÕES DA VIDA

                                              Minha turma do pré escolar na tia Vilma.
                                                   Acima o Grupo Laudelino Gomes

         A escrita fascina o homem a milênios. Mas o que possibilitou a compreensão foi a pontuação. Devemos muito a quem passou para as pedras, pergaminhos e papel as palavras, mas uma divida especial temos com os inventores da pontuação e técnicas da escrita. Posso imaginá-los quebrando a cabeça se perguntando: “como transmitir através da grafia o entendimento e sentimento da fala? Como comunicar a dúvida, exclamação, mudança de assunto e inicio de outro sem que haja confusão?” Vemos isso claramente em pessoas que, conversam, conversam, mas não entendemos nada. Para tais pessoas tenho duas opções: 1 – Pare de falar, antes que descubram que você não tem nada a dizer. 2 – Aprenda pontuar e use corretamente técnicas da escrita em suas conversas. Por outro lado, com o uso da pontuação e técnica devido, em poucas palavras se transmite a idéia. Quando digo técnicas, não quero dizer que deva ser mestre em gramática, interpretação de texto ou fazer um curso de redação pra conversar melhor.
         Minha primeira professora foi a tia Vilma no pré escolar. Eu, chegando à escolinha com meu primeiro caderno de ortografia, havia umas linhas distantes para fazer a perninha das letras b, d, f, g, h, j, l, p, q, t, e duas linhas próximas pra fazer as letras menores. Tia Vilma dizia: siga a linha, arredonde mais a letra, dê espaço, não passe da linha, ponto final, salte uma linha. Depois minha mãe matriculou-me no Laudelino Gomes. Tia Ana Lúcia e Dona Cleonice nos iniciaram na arte da leitura e apresentaram-nos o temível: ditado! “Vírgula, ponto de interrogação, ponto de exclamação, leia com atenção, preste atenção no que digo, aponte o lápis, apague, corrija, não faça orelha de burro, lápis apaga caneta não apaga. O ditado vale nota, se lamber a borracha pra apagar tinta de caneta vai rasgar a folha, caneta azul, caneta vermelha, abre aspas, fecha aspas, ponto e vírgula, travessão, parágrafo, letra maiúscula, se demorar escrever não vai terminar o ditado”. Paralelamente surge a leitura do primeiro livro: “A Ilha do Tesouro”. O mundo toma nova forma e cor. No Colégio Estadual de Goiatuba, professora Silvia e professor Antonio ensinam-nos desvendar os primeiros mistérios da interpretação de textos e redação. Professor Antônio pede pra ficar com minhas redações e futuramente me entregaria, o que não aconteceu. Não acredito que hoje estejam guardadas nalguma gaveta.
         Aprender conversar e escrever é fundamental pra sobrevivência, mas aprender viver é maravilhoso, acessível a todos, privilégio de alguns. Pontuações e técnicas de escrita devemos usá-las também pra ser feliz. Se usarmos corretamente o ponto final, ler os fatos corretamente, ponto de interrogação, ande na linha, podemos tirar 10 com “Exelente” embaixo da nota ao fazer o ditado da VIDA. E não mais escrever em garranchos, tornando-se inelegível ao professor. O segredo está em, onde colocou ponto final, deve colocar vírgula. Onde rasurou à caneta, deveria apagar o lápis. Onde deu espaço deveria encerrar com ponto final. Onde está relendo deveria virar a página, Onde iniciou conclusão, deveria estar encerrando a introdução. Quando lemos um livro isso parece muito fácil, mas quando temos que decidir entre encerrar um capítulo e começar outro no livro da vida e como fazê-lo, já não é tão simples. Numa redação, muitas vezes não sabemos como começar. O texto pode deixar pra depois, entretanto, deixar a vida de lado, mais que colocá-la numa gaveta, é amontoá-la numa pilha de arquivos mortos e atear fogo.
         Em outros artigos vamos meditar algumas pontuações e técnicas da escrita e aplicá-las em nossa existência para melhor reinterpretá-la. Deus está diante do quadro negro de seu coração. O pó de giz colorido: as estrelas. A cortina da janela: o céu. Nebulosas: o pó de seus passos na sala de aula. O universo: o pátio do recreio. Jesus: a árvore da vida. Nós, sentados na carteira das interpretações. Escreva DITADO na primeira linha, salte duas, aguce os ouvidos, não converse com o coleguinha do lado. Abra a cartilha da Palavra de Deus, melhor será escrever uma nova história. Assim, Ele toma nossa mão e ajuda-nos escrever certo em linhas certas. Afinal, tomar bomba e escrever em linhas tortas é somente pra quem, ao invés de abrir a pasta e estudar, abriu a lancheira e ficou tomando suco de laranja e comendo pão com mortadela nas aulas de ortografia e redação na escola da vida.

15 Responses to " PONTUAÇÕES DA VIDA "

  1. Carlos Humberto Oliveira Gomes disse:

    Meu caro amigo!
    Lendo essa brilhante matéria, me fez voltar aos meus 6 anos, foi quando conheci uma pessoa maravilhosa, humilde e de coração puro, uma pessoa chamada Luciano di Mendonça – eu achava que era “De”-.
    A pontuação é tão importante em nossa vida, no nosso cotidiano que uma frase ou até mesmo uma palavra escrita gramaticalmente incorreta pode dar sentido oposto ao qual queremos trasmitir,a qual queremos expressar.
    Há fatos em nossas vidas que o bom seria se pudéssemos apagar tão facilmente quanto a borracha apaga a escrita com lápis, e o oposto é verdadeiro, se escrito com caneta, não deveria nem tentar apagar, porque podemos rasurar, na nossa vida é assim, existem coisas que seriam melhor termos escritos com lápis outras com caneta, principalmente as coisas boas, pois, o lápis se apaga facilmente a caneta não.

    Infelizes aqueles que ficaram tomando suco de laranja e comendo pão com mortadela, esses não aprenderam nem a diferença entre o lápis e a caneta.
    Procuro escrever sempre com caneta, é mais difícil de ser apagado…..

  2. Meu querido amigo Carlos Humberto!
    Você foi meu primeiro melhor amigo, vc foi a primeira pessoa que tive e mantive uma amizade verdadeira, com vc aprendi me relacionar com outros seres humanos diferentes dos meus pais e irmão. Vc me ensinou a brigar (isso ensinou mal) pois nunca briguei, só o Leonardinho me deu uma murro na cara na fila pra entrar pra sala de aula uma vez, quando dei um “troca dez” nele. Ah outra coisa que vc me ensinou muito mal: dançar break, lembra quando fizemos uma apresentação no Laudelino Gomes? Eu, vc, Cristianinho, Deizinho e Fernando Borracha, treinamos sem a música, e na apresentação ao som de “I want to break free”, casa cheia, acabou a música e a dança pela metade, eu tive que sair de fininho, ir no som e voltar a fita K7 , enquanto a “massa” vaiava e jogava papel, carteira, quadro negro, lanche, macarrão, tomate podre, ovo choco e professora no meio da pista. E vc dançou tão mal, mas tão mal, poe mal nisso, e a vaia comeu com força dessa vez, vc parou tudo (de novo) e chamou o sujeito pros tapas e disse que o ia pegar lá fora, mais engraçado foi vc voltar dançar (sei lá o que era aquilo) minha cara caiu no chão, acho que está lá até hoje…
    Mas vc me ensinou algo precioso: o valor de uma amizade. Essa vc escreveu com tinta forte e ainda borrou. Isso nunca me esquecerei, prova que me ensinastes bem, e seu aluno aprendeu a lição, é que continuamos amigos, e assim seremos até o fim…

  3. KKKKKK… Meu amigo, quanta vergonha lhe passei nesses mais de 30 anos de amizade. Quantas vezes lhe chamei à porta de sua casa para jogarmos bola, quantas vezes lhe acordei…. Essas vergonhas passadas por mim em vocês são inesquecíveis. Quantas vezes vc presenciou meus repentes…(meus pais deviam ficar vermelhos pelas mimhas reações, que reações, né???!!! rs.. deixa pra lá).
    Bom, o importante é que tudo ISSO foi bom, pois,vc me faz relembrar com tanta alegria que a minha vergonha passa. Essa do Laudelino, me lembro como se fosse hoje, fiz muito feio, e põe feio nisso…..!!! (risos)

    Irmão, graças aos gramáticos, posso dizer te assim:

    VOCÊ MORA NO MEU CORAÇÃO!!!!!!!!

  4. Rapaiz aqui é proibido falar “mais de 30 anos”, assim vão descobrir que vc está velho rsrs
    Já passei algumas vergonhas com alguns “amigos da onça”, mas vc só me deu alegrias, e continua ao me fazer relembrar algumas passagens. Tenho certeza que o sr Aurides e tia Leila são tão orgulhosos da infância do Carlos Humberto de Oliveira Gomes quanto o são do Carlinhos “crescido” de hoje. Inclusive estou pensando no nosso próximo encontro daquela galera no Centro Poliesportivo do Minhocão, “mais uma parada” pra dancarmos Break, desta vez prometo não voltar a fita kkkkkkkkk
    Ah, me lembro também que vc era (e continua) bom em português…
    Grande abraço

  5. Meu amigo,

    Show este texto, muito bonito mesmo, parabéns Lucianno!!

    Vendo essa foto do Grupo Laudelino Gomes, senti uma emoção, de como estivesse naquele tempo. Como era bom, me vi andando pelos corredores vermelhos e até pisando naquele asoalho de madeira, nas salas que tinha aqueles janelões com um quadro verde, onde minha mãe e outras professoras escreviam letras desenhadas. O som do recreio, com a algazarra da mulecada correndo brincando de salva cadeia, o gosto da rosquinha frita e da salada de fruta da merenda escolar. Vem na lembrança o uniforme que era usado, os carimbos de bichinhos que as professoras usavam, como insentivos por deveres de casa e cadernos organizados. Da secretária, que a gente morria de medo de visitar, do cheiro de giz quando a professora batia no quadro, das carteiras com dois lugares, sempre escolhia sentar com uma menina bonitinha, rsrs.. Os castigos de ficar com a cara no quadro até acabar a aula, isso eu e o Carlos Humberto entendía-mos bem, rsrs, uma vez ficamos com a cara no quadro e o Carlos Humberto ficou com a ponta do naris branco, rapaiz olhei aquilo e comecei a rir, não deu outra, deu crise de riso, até a tia Geralda começou a rir tambem, e liberou a turma pra ir embora. E na época das quadrilhas? a gente ficava escolhendo com quem fazer par, a menina mais bonita, os namoricos. As festas depois, o araiá com muito quentão, pipoca e correio elegante, aquele romance de uma época distante em nossa mente. Como era bom os festivais as peças, as danças, tbém as nossas, kkkk break dance O que mais me marcou, e acho que a todos nós, foi o fato de um prédio comum, construido a tantos anos, ter deixado marcas tão profundas, que nem o tempo apaga. Sempre quando vou à Goiatuba, passo e olho para ele, para aquele saudoso prédio como se fosse uma parte de mim, afinal, alí conheci meu primeiro amor, meus primeiros amigos, que moram até hoje em meu coração…

    Um grande abraço à todos

    Em especial para vc meu amigo!!!

  6. Obrigado meu amigo de infância Leonardo.
    Vc me fez lembrar do assoalho de madeira, e havia uma lenda que de baixo dele tinha escopiões. Um dia fomos verificar isso in loco, escondido das tias, dando a volta por trás casinha das merendas. Vc se lembra de um pentelho dando troca dez em vc na fila pra entrar na sala de aula na volta do recreio? Acho que vc não se lembra dessa, foi vc quem bateu rsrs. Se lembra na quadrilha de um bigodão horrível que vc pintou na cara, e umas palhas de milho no bolso de trás? E aquela Paineira imensa que corríamos sobre seu tronco pra ver quem conseguia ir mais alto? Mas pera ai, correr num tronco de árvore? Pois é, se contar ninguém acredita mesmo… Assim como, uma turma de amigos transpor gerações e gerações, isso também é inacreditável…
    Forte abraço, e até o próximo encontro nalgum recreo por ai…

  7. KKKKKKKKK lembro sim Lucianno, rapaizz vc tem uma memória! pena que eu não tenho nenhuma foto desse bigodão, lembro que nesta quadrilha eu dancei com a Alessandra, eu era muito tímido, ficava vermelho de vergonha, tremia igual vara verde, rsrsrs tempinho bom viu? A grande paineira tem uma história que minha mãe me contou, que minha avó ajudou a plantar ela, sempre me dizia isso. Lembro quando tiveram que cortar ela, questão de segurança, foi muito ruim… Lembro também dos pelotões, tinha uniforme e tudo, eu fazia parte do pelotão da agricultura (só pra variar né?) lembro que eu e o Deizinho plantava na horta que tinha no fundo da Escola, depois virava sopa, que a dona Geneci preparava pra mulecada comer, era muito gratificante. Acho que hoje não existe isso mais, não sei… Lembra daquele sino grandão? não existia sirene, batia o sino mesmo. A fila se formava e a gente cantava o Hino Nacional e Hino da Bandeira antes de entrar pra sala, lembro do “troca dez” até da dor eu lembro, rsrsrs, mas foi mau, pelo troco que eu dei, foi no reflexo mesmo, kkkkk mas vc tbém bateu doido rsrs.

    Grande abraço.

  8. Carlos Humberto disse:

    Caros amigos, Luciano e Leonardo. Ontem a noite estávamos (meu pai, minha esposa e eu) no ESPETÃO, ou melhor dizendo, estávamos na praça que dá aos fundos da inesquecível escola Dr. Laudelino Gomes, e como tem história essa escola, meu pai contando histórias e fatos de quando ele estudou lá, e engraçado, muitas coisas aconteceram comigo também, principalmente as brincadeiras. Me lembro bem desse fato que o Leonardo contou, ficamos de castigo com a “cara” no quadro, quando eu olhei para o Leonardo meu nariz estava sujo de giz, ele caiu na gargalhada, a Dona Geralda, minha primeira e inesquecível professora, também não aguentou e caiu na gargalhada também, e por isso nos tirou do castigo rapidamente. A infância é uma etapa da vida que NUNCA se apaga, e a minha não quero APAGAR NUNCA.
    Sou muito feliz por ter conhecido pessoas especiais…

    Abraços a todos!!

  9. Carlos Humberto,
    Esse tipo de “castigo” hoje em dia não existe mais. Talvez por isso vemos alunos xingando e batendo em professores. Somos das últimas gerações que tiveram o privilégio de aprender a respeitar autoridade. Temos muitas histórias, mas nenhuma por desrespeito aos mais velhos ou à alguém a quem devíamos submissão. Hoje o que vemos é filhos e alunos ditando as normas. Engraçado se não fosse trágico, é que alguém sempre tem que exercer autoridade e outro se submeter, infelismente hoje em dia, quem fica com a cara na parede são os adultos!
    Por isso nunca iremos apagar nossa infância, e se apagamos alguma coisa, foram algumas regras de Português no quadro negro com a ponta do nariz, e no final dar muitas risadas…
    Foi muito bom revê-lo no estádio no sábado.
    Grande abraço

  10. Meu amigo, Luciano.

    Comparando o ensino de quando iniciamos a alfabetização com o da atualidade, ainda não consigo ver o que realmente melhorou. Estudei na faculdade e no curso de pós-gradução,com pessoas bem mais novas do que eu, e pelo que notei, não foram bem alfabetizados como nós. E os “castigos” que recebemos na época, aprendi bastante, porque hoje, os alunos não recebem castigo algum e seu aprendizado é bem inferior do qual tivemos na nossa época. Infelizmente, as coisas mudaram, no meu entendimento, para pior….

    Caro amigo, a verdade é recíproca, foi prazero nossos minutos de diálogo no “Divinão”, pena que vc não pode ficar mais, porém, tenho certeza que nos encontraremos muito nessa vida abençoada.

    Grande abraço!

    Fique com Deus!!

  11. Luciano, faça-me um favor. Escreva os nomes dos seus colegas de infância dessa foto, estou curioso para saber quem são:

    ok?

    Abraço!

  12. Carlos,

    Abaixo os nomes da galera dessa foto histórica. Alguns não me lembro. Se souber diga ai.
    Os nomes começam pelo Isaías, que está acima a esquerda:
    Isaías, Mirela, Luciano Santana, Não lembro, Betinho, Cejane, Tia Vilma, Tia Leila.
    Amário Jr, Não lembro, Luciana Salatiel, Ronaldo Vieira, Anderson, Não lembro, Não lembro, Não lembro, Marcelo Sakay, Não lembro.
    Sentados: Daniela Vieira, Patrícia Rossi, Luciana Moreira, Fernando Pires, Lucianno Di Mendonça, Alexandre, Leonardo.

    Alguns mudaram muito, outros um pouco, outros (como no meu caso), continuam o mesmo… rs

  13. Boa-noite, meu caro! Tudo bem?
    Muito obrigado pela gentileza!
    Realmente vc continua o mesmo…….uma pessoa muito carismática, educada, de caráter e fiel…. Com esses predicados não precisa de mais nada..

    Abraços

  14. Lindo texto!
    Relembrei momentos felizes e importantes.
    Quanta saudade!
    Mas entre todas aquelas crianças, não consegui te identificar.

  15. Olá Melca,

    Relembrar esse tempo é muito gostoso mesmo.
    Fácil me identificar, sou o mais bonito rs brincadeira, eu estou sentado, da direita para a esquerda (embaixo), o terceiro, entre o moreninho sentado e o loirinho agachado.
    Grande abraço

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